segunda-feira, 4 de maio de 2009
Introdução
Propomos a Quinta do Rabaçal enquanto modelo experimental do conceito de “deslocação”, isto é, não apenas no sentido banal da viagem e da experiência turística enquanto itinerário dos topoi (topos = lugar), visita de lugares, mas simultaneamente observar no conceito proposto a sua formulação mais estridente e que sugere o desenraizamento, a hibridez cultural e o fluxo, noções que de resto se deixam capturar pelo que a pós-modernidade designa de desterritorialização. Contudo, se este termo serve à geografia, às ciências sociais e políticas, e à antropologia, não é por si mesmo evidente que sirva à turismologia, quando uma das questões estruturais é questionar se o autêntico território do turismo moderno não será precisamente um lugar por essência desterritorializado, condição essa atribuída tanto pelo grau de encenação dos topoi (parque temático como exemplo máximo) como pelo típico alheamento do turista em cena. Parece-nos pois que o conceito de “deslocação” adequa-se-nos por duas razões: desvia-se de um escrutínio terminológico desnecessário no âmbito deste trabalho e, por outro lado, apela a uma dialéctica estrutural inerente ao turismo: o topos turístico é uma evocação humana do paraíso, do que entre nós não tem lugar, a u-topia. Portanto, a deslocação é também e sobretudo o topos, o território próprio, de experiências sem lugar. Pensar a Quinta do Rabaçal como um lugar deslocado é precisamente desafiar a compreensão da experiência turística a partir do seu centro do conceito de local e não local (topia e u-topia), mas também territorializar o turismo, livrar o turista do mau-olhado. Eis o que aqui se propõe.
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